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Precisamos falar sobre autoestima feminina

O Dia da Mulher já passou, mas essa pauta tem se tornado cada vez mais constante (já não era sem tempo). E o fato de ela estar se tornando um assunto frequente tem tudo a ver com o tema desse artigo: a autoestima feminina.

Quando comecei a pensar sobre esse artigo eu quis ouvir a opinião de um homem sobre autoestima feminina. Porque eu tinha certeza que ele me falaria o óbvio, qualquer coisa relacionada a se cuidar, corpo, cabelo, visual, etc. 

Eis que, pasmem, eu escolhi o “cara errado”. 

Errado porque eu esperava ouvir o óbvio. e foi aí que a surpresa aconteceu, talvez eu tenha ouvido na verdade o “cara certo”. Para os caras certos, o óbvio não existe, existe uma mulher, sua individualidade, suas peculiaridades e o respeito que ela merece.

Mas, esse texto não é para falar sobre caras. É para falar sobre mulheres e a sua autoestima (juro que depois eu conto o que perguntei e o que ele respondeu).

Quando buscamos o conceito da expressão autoestima encontramos muita coisa, a maior parte relacionada à psicologia e com um sentido comum. Eu, particularmente, gostei dessa aqui, que transcrevo abaixo:

“Entende-se por autoestima a avaliação que a pessoa faz de si mesma; expressa uma atitude de aprovação ou de repulsa e até que ponto ela se considera capaz, significativa, bem-sucedida e valiosa para si e para o meio em que vive. Conforme entendimento de Coopersmith (1967), trata-se tanto do juízo pessoal de valor expresso nas atitudes que o indivíduo tem consigo mesmo, quanto de uma experiência subjetiva que pode ser acessível às pessoas através de relatos verbais e comportamentos observáveis.”

E é aí que começa a nossa reflexão, a importância de falar sobre isso e a confusão que em algum momento já pode ter sido imposta a alguém pelo meio em que vive:

autoestima relacionada à estética, ao físico, ao visual e à imagem que os outros fazem da pessoa. Ou vai dizer que você nunca ouviu alguém falar: “elogios fazem bem pra autoestima”? 

Não, autoestima nada tem a ver com o que outros pensam e sentem sobre você. Autoestima é uma relação de você consigo mesmo e ponto.

Mas, então, por que é tão importante falar sobre isso?

Lembra que eu comentei aqui em cima que a maior parte dos conceitos de autoestima está relacionada com a psicologia? Pois bem, você sabe tanto quanto eu que a psicologia foge às regras e obviedades, ela está diretamente relacionada com o emocional, com a individualidade, com os sentimentos, com aquelas incógnitas que moram dentro de cada um e a gente muitas vezes nem consegue explicar (bendita terapia!).

E é aí que, mesmo não tendo a ver com autoestima, a opinião alheia interfere nessa atitude de aprovação ou de repulsa, no quanto nos consideramos capazes, significativas, bem-sucedidas e valiosas para nós e para o meio em que vivemos.

O mesmo conceito fala sobre autoestima como “a avaliação que a pessoa faz de si mesma”. Faz, no presente. O que significa que reflete um estado, aquilo que a pessoa enxerga no momento. Ou seja, é reflexo de quem nós somos e como nos sentimos no meio e nas relações que nutrimos.

Nunca se falou tanto em autoestima feminina, empoderamento, feminismo e tantas outras expressões. Ao mesmo passo em que nunca se falou tanto em relacionamentos abusivos, violência contra a mulher e uma rede engajada no #ninguemsoltaamaodeninguem.

Você já se pegou refletindo que, em algum momento da vida, você era mais segura, confiante e se sentia mais bonita (ou menos, porque torcemos para que as visões sejam cada dia melhores)?

E, ao se perguntar, não buscou entender por que razão isso pode ter mudado? 

A maior parte das pessoas que conheço e viram sua autoestima diminuída acreditam que isso tem a ver com algum relacionamento; seja familiar, seja profissional, sejam as amizades e, claro, os relacionamentos afetivos. E, por mais estranho que isso possa parecer, quando o assunto é relacionamento, a autoestima fala muito.

Sabe por quê? Porque quando falamos sobre relacionamento estamos supondo que existem muitos bons sentimentos envolvidos, carinho, afeto, amor, respeito, admiração. 

E é justamente quando algum desses sentimentos entra em risco que a autoestima é abalada.

É um círculo vicioso completamente nocivo e inexplicável. Você admira uma pessoa, confia, ama e tem na recíproca um excelente calmante para a alma e que, claro, permite que a sua avaliação presente de si mesma seja positiva, animada, otimista. 

Afinal, a pessoa que você ama te lembra constantemente quantos predicados você tem. E isso impacta diretamente em como você se vê. Nas escolhas que faz para se arrumar, se sentir bonita, se sentir motivada a usar roupas e acessórios para expor aquela sensação de auto-suficiência que você está sentindo.

De repente, não mais que de repente, o príncipe vira sapo e deixa de ser tão delicado. Passa a te exigir padrões de comportamento (“você não está fazendo seu papel de esposa”), quer regular a forma como você se vê (“tá gordinha né?”), tenta controlar o que você usa (“vai mesmo sair assim?”) e isso num cenário não tão pesado.

E aí, o que acontece? Isso começa a ficar martelando na sua mente, interferindo na sua avaliação presente até o ponto em que você acredita e começa a enxergar exatamente isso no espelho: “será que eu devia vestir isso?”, “o que as pessoas vão pensar se me virem assim?”, e etc.

Por que eu falei que esse círculo vicioso era inexplicável? Porque provavelmente a pessoa que age assim é que tem problemas com a sua autoestima e confiança. É ela quem está insegura nesse relacionamento e transfere para a pessoa “amada” muitas vezes até por medo. 

Tá, mas você está me dizendo tudo isso para falar de relacionamento nocivo (eu prefiro não chegar nos abusivos porque acho que devemos parar por aqui)? O assunto não era autoestima?

É. O assunto ainda é autoestima. E essa encenação toda foi justamente para lembrar a importância dela. Porque a autoestima é o valor que você enxerga em você mesmo e ele DEVE ser independente de como os outros te enxergam, ok?

A pessoa que te ama e que deve te lembrar dos teus predicados diariamente é você mesmo. É você quem deve se valorizar, se perceber suficiente, estar em paz consigo mesmo independente da forma física, do cabelo rebelde, do look preguiçoso.

É você quem deve, todos os dias, lembrar que você MERECE apenas coisas boas.

É você quem vai decidir que acessório reflete seu sentimento do dia, quando é a hora de mudar o dress code porque agora você se sente diferente, mais empoderada, mais moleca, mais comprometida, mais madura, mais informal, mais dedicada ao trabalho.

Sabe quantas vezes a gente olhou pra alguém e fez uma pré-avaliação só pela aparência (avaliação, julgamento não vale)?

Então, esse é o ponto: a sua autoestima deve refletir, seja pela aparência ou pelas atitudes, a pessoa que você decidiu ser, o humor que você mesmo criou, a impressão que você se sente confortável em passar. E não (nunca) o que alguém ousou te fazer acreditar que você é.

E a gente fala sobre a moda aqui justamente porque ela tem total relação com a autoestima. Vai dizer que você já viu alguma campanha: “use, para você se sentir um lixo”? Tenho quase certeza que não. A moda está aí para ser nosso acessório, aquele que vai influenciar positivamente na forma como você se vê e se sente.

Ninguém está no mundo para agradar ninguém que não a si mesmo (nem a gente se agrada sempre e está tudo bem), ninguém está no mundo para desempenhar um papel que outra pessoa desenhou (a menos que você seja ator ou atriz), ninguém está no mundo para conviver com desrespeito, para ser diminuído, para ser injustiçado ou humilhado.

Todo ser humano, sem exceção, pelo mero fato do ser, é digno do respeito incondicional dos demais e de si mesmo; merece estimar-se a si mesmo e que se lhe estime

Carl Rogers

É por isso que este artigo e todos os movimentos que promovem a autoestima feminina são tão importantes. Porque ninguém além de você tem condição alguma de te julgar, te avaliar ou impactar na forma como você se vê. 

Se o relacionamento te diminui não é você quem está com problemas, você só está no relacionamento errado. Se o cara (ou a mina) com quem você está não enxerga o seu valor, tudo bem, enxergue você mesmo e vá embora. Se a roupa não caiu bem, ela só não foi feita para você, pule para a próxima opção (com roupa é mais fácil né?).

“Credo, que pesado!”. Pesado é carregar um fardo que você não precisa. É conviver com algo que não seja bom, não te faça feliz, não te faça ter vontade de se arrumar pra vida simplesmente porque te faz bem.

Sim, é essa a importância da autoestima feminina. Lembrar você todos os dias de olhar pra si, cuidar de si, se amar, se respeitar. Vestir seu look favorito numa terça qualquer porque você está refletindo isso. Usar brincos para ficar em casa porque essa é a sua marca.

Lembra que eu falei sobre a confusão que o meio pode ter imposto a muitas de nós?

Pois bem, quantas vezes você mesmo já não se sentiu não merecedora de algo? Não deixou de vestir alguma coisa porque não estava feliz com o corpo? Não se comparou com outras mulheres e se sentiu inferior? Não ficou se cobrando e se questionando sobre fazer mais e melhor?

Um estudo promovido pela marca Dove, chamado Relatório Global de Autoconfiança Feminina, chegou às seguintes conclusões:

  • Apenas 4% das mulheres em todo o mundo se consideram bonitas (um aumento em relação aos 2% de 2004)
  • Apenas 11% das garotas no mundo se sentem confortáveis em se descreverem como “bonitas”
  • 72% das garotas sentem uma imensa pressão para serem bonitas
  • 80% das mulheres concordam que toda mulher tem algo bonito em si; entretanto, elas não enxergam sua própria beleza
  • Mais da metade das mulheres no mundo (54%) concordam que, no que se refere a aparência, elas mesmas são as que mais se criticam.
Campanha Dove pela Real Beleza

Viu só? Estamos juntas, no mundo todo, quando o assunto é a falta de autoestima. Aproveita para conhecer os esforços incríveis da Dove pela autoestima feminina aqui.

E esses dados não refletem apenas a forma como nos vemos, refletem nas escolhas que fazemos. É essa visão deturpada que faz com que alguém acredite mesmo que não merece, que não é capaz, não é suficiente.

Poderíamos encerrar por aqui mesmo tendo respondido à pergunta: por que precisamos falar sobre autoestima feminina?

Mas a gente ainda tem mais, afinal, precisamos mesmo.

Precisamos lembrar o quanto o amor próprio e a autoestima em alta podem fazer por você. 

O primeiro dos benefícios está relacionado a praticamente tudo o que falamos até agora:

  1. A autoestima feminina te protegerá de relacionamentos abusivos. Talvez você perceba de cara e nem comece, talvez você até comece, mas saberá exatamente a hora de sair e se proteger (até porque ninguém merece, né?!);
  2. Você será um agente ativo para relações de trabalho mais justas. Quanto mais mulheres entenderem e lutarem para que as relações de trabalho sejam iguais, independente do gênero, mais as empresas se conscientizarão e adotarão medidas igualitárias (afinal, nós somos a maioria);
  3. Sua vida (e de muitas mulheres) será mais leve. Quando você está em paz consigo, você faz as coisas por prazer e não porque a sociedade acha adequado e ninguém é mais bonito do que alguém em paz consigo mesmo (e gente feliz não enche o saco :).

Bom, deu pra perceber a importância de falar sobre isso, de refletir sobre isso e de garantir que estamos em paz com a nossa autoestima, não é?

A Piuka espera que esse texto tenha feito a diferença para você e que, além de se amar, se respeitar e se cuidar todos os dias, você possa contribuir com as mulheres que você conhece (e até com as que não conhece) para ajudá-las a lembrar sobre a importância do amor próprio.

Comece enviando esse artigo para as mulheres que você acredita que precisam ler ele também.

A sua próxima tarefa é definir o “mantra” que você dirá para o seu espelho todos os dias para ter a autoestima como uma dose diária e indispensável para você (enquanto você escolhe o look que você quer refletir nesse dia).

Ficou curiosa sobre a pergunta e a resposta que eu fiz para o cara certo? Vamos lá:

Pergunta: O que você entende por autoestima feminina e qual a importância dela?

Resposta: 

Autoestima feminina eu entendo como o “poder” que uma mulher tem de se sentir bem com ela mesma, de se amar.

Do meu ponto de vista, geralmente é reduzida somente ao bem estar com a aparência, mas na verdade é muito mais que isso. Tem a ver com todos os aspectos da vida, como se sentir capaz de realizar algo ou digna, merecedora de ter/receber algo (material ou não).

A importância dela é fazer com que a mulher perceba que ela é suficiente sozinha e como ela é, que ela não precisa de ninguém pra completá-la, ou estar dentro de um padrão imposto por outrem.

Com isso, a mulher pode aprender a não aceitar qualquer coisa de qualquer um. Por exemplo, ela pode identificar quando uma relação (seja amorosa, ou de amizade) não lhe faz bem e sair da mesma.

Entendeu por que eu disse que havia interrogado o “cara certo”? Porque ele entende que para estar em uma relação é preciso estar inteiro. E só está inteiro aquele cujos pedaços não foram arrancados por alguém que tentou lhe diminuir. Só está inteira aquela que se ama acima de tudo, independente do que o outro espere ou enxergue nela. 

Ah meninas, um ponto, o cara certo é meu irmão, ok?! 🙂

É muito mais gostoso amar alguém que se ama. E eu estou falando sobre ser e amar esse alguém: estou falando de amor próprio.

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